Preciso de uma dívida…!!!

dinheiroO documentário Zeitgesit, que citei no post anterior (acesse aqui) me fez lembrar de alguns exemplos que temos em nossa sociedade, já largamente difundidos, e sobre os quais não é nada difícil saber porque e quem os criou.

Por exemplo, a grande maioria das pessoas, sobretudo das classes média e baixa, tem em mente que é preciso ter pelo menos uma prestação, uma dívida, em outras palavras, porque se não tiver, o dinheiro é gasto da mesma forma. Grande engano!

debtEssa mentalidade de ter que ter dívidas para conseguir comprar alguma cosa é algo que nossa sociedade está repleta. Diria atolada até o pescoço. Em vez de fazer uma dívida, comprando um bem de consumo muitas vezes supérfluo, seria muito mais inteligente se juntássemos o dinheiro para comprar à vista. Comprando no prazo, pagamos juros e mais juros, e em alguns casos pagamos o dobro ou até mais pelo produto.

O povo brasileiro, e os dois-irmonenses incluem-se aqui, precisa começar a olhar o valor final do produto, antes de comprar em 10, 15, 25 vezes. É preciso ler as letrinhas miúdas, aquelas onde consta a taxa de juros.

Na hora de comprar, não adianta ver apenas se a parcela cabe no nosso orçamento mensal. Temos que ver o valor final que estaremos pagando. Toda aquela diferença do valor final para o valor à vista, o lojista está lucrando. Lucrando a mais, porque no valor à vista, ele já tem a margem de lucro embutida.

Dê valor ao seu dinheiro, pare de dar seu dinheiro de mão beijada para grandes e mega empresários. Você já parou para reparar que as ofertas à vista, tão comuns algum tempo atrás, sumiram das prateleiras? Claro, os grandes empresários têm visto que é muito mais vantagem vender a prazo, e lucrar cinco vezes mais. Com capital de giro para “bancar” o consumismo da população, ele tem seu lucro aumentado em larga escala.

Vamos pegar um exemplo aqui, de uma loja de Dois Irmãos que o folheto, casualmente, está na minha frente. Um televisor LCD que custa R$ 2.890,00 à vista (onde o lojista já tem margem de lucro, que deve ser de no mínimo 20%) é vendida em 15 vezes de R$ 268,90. Bem abaixo, em letras semi-invisíveis a olho nu, o valor final das prestações, que é de R$ 4.033,50.

Ou seja, além do lucro no preço à vista, o lojista está ganhando outros 40% porque lhe vendeu no prazo. Olhando pelo outro lado (o do consumidor), mais de 4 prestações você vai pagar só de juros. Pressa tem um preço! Se você, em vez de ter cedido à tentação, à propaganda e aos papinhos de vendedor, tivesse se programado e guardado o dinheiro (mesmo que fosse num banco), você teria o dinheiro a seu favor, trabalhando para você, e além de pagar muito menos, ainda poderia barganhar um desconto.

Este exemplo não é o mais grave. Outra empresa instalada aqui na cidade, que vende em 25 vezes, chega a cobrar 100% de juros: isso mesmo, você compra um, e paga dois! Belo negócio! Pelo menos para o dono da loja!

Mas a grande maioria vai lá e faz a conta da seguinte forma: bom, vou comprar um produto que tem um custo de 1.000,00. Se eu pagar em 25 vezes, consigo encaixar no meu enorme salário. E não olha que no final estará pagando o dobro pelo produto. Em alguns casos, quando terminar a parcela (mais de dois anos pendurado no carnê) o produto nem funciona mais. Já quebrou, já estragou, já perdeu, já foi roubado… e você continua indo na loja pagar o maldito carnê!

Cada dia que passa, você verá mais e mais lojas deixando de vender à vista para tentar empurrar um carnezinho no cliente. Olhe o tradicional exemplo das Casas Bahia, empresa de móveis e eletro-domésticos que mais vende no Brasil. A empresa é conhecida porque lá você compra em “ene” prestações. Ninguém vai lá e pára pra somar o valor final. E é só olhar para o lado. Há alguns dias estava de passagem por uma cidade da região que tem outra rede de lojas, que por sinal (lembrei agora) abriu aqui também recentemente, e quase tive um soluço quando vi os juros que cobram nas vendas a prazo. Dá mais de 100% de acréscimo em cima do valor inicial.

Pelamordedeus! Onde vamos para desse jeito.

Vamos parar para fazer uma conta aqui, usando outro exemplo de “endividamento”.

bizEstou com um folheto de consórcio aqui em minha frente, onde tem algumas cartas de crédito, por exemplo:

  • 85% do valor de uma moto Biz
  • Valor total: R$ 5.006,50
  • Prazo: 60 meses
  • Prestação: R$ 98,46

Se você aderir ao plano, sem contar reajustes anuais do bem e conseqüentemente da prestação, você pagaria, em 60 meses, um total de R$ 5.907,00. Para receber cerca de 85% disso, que é o valor da carta.

porquinhoOu seja, se em vez de pagar o consórcio, você tivesse guardado esse dinheiro embaixo do colchão, você teria mais no final do período de 60 meses. Se tivesse depositado esse dinheiro em uma poupança, que está longe de ser um investimento ideal (contando um rendimento médio de 0,5% ao mês) você teria no final de cinco anos o valor de R$ 6.869,55. Essa diferença acontece por causa dos juros compostos (não sabe o que é isso? sabe sim, são os famosos juros sobre juros).

Lembre que depois de ser “contemplado”, você ainbda vai de pagar um seguro. Nem se anime, esse seguro de vida é na verdade um “seguro de dívida”, ou seja: se acontecer algo com você, em vez da sua família receber um conforto financeiro pela su ausência, a empresa vai lá e saca o seguro para que você não vá dessa para outra com dívidas! Muito altruísta!!!

Abra o olho com seu dinheiro, não queime dinheiro só para ceder a uma apelação da propaganda, que a cada dia lança novos produtos e diz que os que temos são lixo. Ninguém consegue acompanhar as mudanças e evolução da tecnologia, dos eletrodomésticos, dos computadores, dos carros e motos, das câmeras digitais, e muito menos dos celulares… quem tenta, entra em joguinho de endividamento que tem apenas dois lados: o que ganha e o que perde!

Adivinha em que lado estamos nós, os consumidores…

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~ por Ciclope em 11 \11e novembro \11e 2008.

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